10º Conto

Nem tudo são flores.

E foi assim…
O quarto estava escuro, eu estava bêbada, ou mais que isso.
Ele tirou a camisa, me deitou na cama, tirou a minha roupa, abriu a calça e meteu em mim.
Não conseguia entender o que estava acontecendo não conseguia reagir a nada.
Me lembro do seu cordão de madeira que balançava, cada vez que ele metia em mim, também porque era a única coisa que eu conseguia enxergar direito.
Num reflexo da minha consciência, coloquei as duas mãos em seu peito, o empurrei e disse não. Mas não tive nenhuma resposta.
O que antes era confusão na minha cabeça se transformou em desespero, dor e nojo.
Eu só pensava em sair dali, só queria que tudo acabasse. Mas parecia eterno. As lágrimas escorriam pelo meu rosto, mas pra ele isso pouco importava.
Ele puxava as minhas pernas pra cima dele, e metia forte, tudo que eu sentia era dor. E as lágrimas escorriam...
Ele segurava o meu rosto e olhava para o lado, como se eu não estivesse ali... Me apertava e gemia forte, mas parecia de raiva.
E eu via o cordão de madeira balançando...
Por fim... Ele saiu de cima de mim e se deitou ao meu lado. Me enrolei num lençol, virei para o outro lado e chorei até dormir. Amanheceu o dia e eu acordei, a cama estava suja de sangue, e eu também... Ele ainda dormia... Fui para o banheiro, tomei um banho quente e tentei esquece aquela noite.
Mas até hoje eu penso...
O que aconteceu?!
E até hoje eu sonho todas as noites com aquele cordão de madeira.
Ana T.